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Sermão O CAMINHO PARA A VIDA Salmo 1

O CAMINHO PARA A VIDA Salmo 1
TEMA: O CAMINHO PARA A VIDA
Em primeiro lugar, nos versículos 1 e 2, temos uma definição clara daquilo que Deus nos aponta como
o Caminho para a Vida.
1) CONHECENDO O CAMINHO (VV. 1-2)
De início, o salmista apresenta a essência antagônica do caminho de justos e ímpios. Ele diz: “1 Bemaventurado
o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. 2 Antes, o seu prazer está na lei do Senhor e na as lei medita de
dia e de noite.”
O homem justo é aqui chamado de bem-aventurado, pois o seu proceder se baseia na Lei de Deus,
que é por ele amada e, portanto, conhecida mediante uma meditação constante. Desta forma, ele ressalta a
necessidade do homem justo de andar segundo o seu conhecimento desta Lei e em flagrante contraste com
as atitudes daqueles que não tem por ela o mesmo apreço.
E ele vai além: no versículo primeiro, ele exorta àquele que deseja trilhar as sendas da justiça, que se
abstenha da identificação com os que desprezam os valores da Lei de Deus. E faz isso através de uma progressão
de termos, onde “andar”, “deter-se” e “assentar-se”, descrevem uma seqüência de atitudes que fazem
com que o homem possa desviar-se do caminho correto. As designações que o texto apresenta, “ímpios”,
“pecadores” e “escarnecedores”, não querem identificar três grupos distintos de pessoas, mas três atitudes
de uma progressão negativa: aqueles que não prezam a lei de Deus, acabam por transgredi-la e, por
fim, até mesmo zombam dela e dos que buscam praticá-la em suas vidas. Este antagonismo está em consonância
com o espírito daquilo que Jesus afirma também no Sermão do Monte: “Entrai pela porta estreita
(larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela),
porque estreita é a porta e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com
ela.” (Mt 7.13-14)
Assim, o verdadeiro caminho para o homem, o caminho da justiça, está em fundamentar o seu prazer
e o seu esforço na busca constante por conhecer e praticar a lei do Senhor. Diferentemente do que muitos
costumam pensar, esta lei não é um fardo, mas uma fonte de alegria e de vida para aqueles que a amam e
a vivenciam. Esta compreensão nasce de uma equivocada oposição entre lei e graça. Para Calvino, essa
oposição nunca existiu, pelo contrário, existe, sim, uma continuidade. Segundo ele, a lei não deve ser vista
como sistema de salvação, mas tem um tríplice uso: 1) Ela nos dá a plena consciência da santidade de
Deus e da nossa pecaminosidade; 2) Ela restringe o mal, apontando para as conseqüências de sua prática;
3) Ela guia os justos à prática das boas obras.
Portanto, o Caminho para a Vida proposto para os homens que desejam ser considerados justos está
em conhecer, amar e praticar a Lei de Deus, os seus ensinamentos. Quando assim procedemos, nos colocamos
a trilhar uma estrada que, a despeito das lutas e adversidade que se apresentam, nos é apontado
como o correto pelo próprio Deus, em sua palavra. Durante o percurso, podemos fazer uma avaliação de
como anda a nossa caminhada.
2) AVALIANDO A CAMINHADA (VV. 3-4)
Nos versículos três e quatro, o salmista nos diz: “3 Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas,
que, no devido tempo dá o seu fruto e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.
4 Os ímpios não são assim; são, porém como a palha que o vento dispersa.”
Após apresentar a essência antagônica destes dois caminhos, o salmista expõe de maneira clara os
sinais visíveis da diferença entre o caminho e justo e do ímpio. Para tanto, ele compara o justo a uma árvore,
um símbolo claro de firmeza, fartura e vigor. Sua localização privilegiada, “junto a corrente das águas”,
lhe fornece o necessário para uma vida frutífera e bem fundamentada.

O papel que as águas exercem no desenvolvimento da árvore, serve também de paralelo para o papel
da Lei de Deus na vida do homem. É ela quem alimenta-lhe, conservando-lhe a força e o vigor. Os frutos
produzidos pela árvore de maneira natural e plena, sua manifestação, “no devido tempo”, é certa e abundante.
Outrossim, sua “folhagem não murcha”, isto é, a vida exuberante está sempre presente nele e pode
ser testemunhada por aqueles que o vêem.
De maneira diametralmente oposta, os ímpios são comparados à palha que resulta da colheita, a
casca seca dos grãos, que para nada servem, nem mesmo para ser queimada, pois é levada pelo vento em
decorrência de sua leveza e inconsistência extremas. A vida dos ímpios não apresenta sinais de produtividade
que possam ser testemunhados por aqueles que por ele buscam, também não acha lugar, mas é conduzido
pelo vento e pelas intempéries da caminhada. Não há frutos, não há firmeza, não há vida!
Isto nos faz lembrar outra assertiva de Jesus, no Sermão do Monte, que nos propõe parâmetros e critérios
claros para avaliar como anda a nossa caminhada: “Pelos frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura,
uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore
má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos
bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos frutos os conhecereis.”
(Mt 7.16-20)
Esta avaliação da caminhada é uma ferramenta indispensável para todos aqueles que desejam permanecer
fiéis e sinceros para com Deus, aprendendo com os eventuais tropeços e crescendo na fé. Caminhando
pelo caminho da justiça e esforçando-nos por avaliar se, de fato, estamos seguindo-o corretamente,
podemos ter certeza do destino que vamos atingir.
3) CHEGANDO AO DESTINO (VV. 5-6)
Nos dois últimos versículos, o salmista aponta para o destino para o qual estes dois caminhos conduzem:
“5 Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. 6
Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.”
Mais uma vez o contraste entre o caminho dos justos e dos ímpios acentua-se em diversas esferas.
Enquanto o destino final do ímpio é ser disperso na solidão, para o homem bem-aventurado está reservada
a comunhão, na “congregação dos justos”. O ímpio não tem acesso a esta assembléia e suas venturas são
efêmeras e passageiras, não permanecem, não se sustentam. Uma nova progressão de termos é apresentada
para descrever o destino dos ímpios: são dispersos, não permanecem e acabam perecendo. O verbo
perecer ( ) tem o sentido perda, perdição, cuja realidade se aplica a todos aqueles que não trilham as
veredas da justiça pavimentadas pela lei do Senhor.
Por outro lado, o caminho do justo é conhecido por Deus, isto é, Ele o acompanha, intervindo nos
momentos necessários e conduzindo-o a um destino seguro e abençoado. Assim, o justo tem a companhia
do Senhor para a caminhada, sendo sustentado pela providência divina em todos os seus passos, seguindo,
dia-a-dia, com a certeza daqueles que são guiados pelo próprio Deus. Já o ímpio fica à mercê de sua
própria sorte, sendo o único responsável pela sua própria ruína e perdição. Nesta dualidade, o final do caminho
reserva destinos divergentes para ambos os lados. Devemos ter uma clara consciência de por onde
temos andado.

O destino dos justos é certo e sua vida está em segurança. Àqueles que amam a Deus e guardam os
seus mandamentos, Jesus afirma: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor;
assim como também tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço. Tenho vos
dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo.” (Jo 15.10-11). Esta é
a certeza de uma vida que permanece no amor de Deus e tem alegria plena e perene na vida em Cristo Jesus.
A todos quantos se perguntam e se inquietam com o destino final da caminhada desta vida, Jesus
tem uma resposta confortadora. Certa vez, ele assegurava aos seus discípulos que o destino de suas vidas
estava seguro, porque “vós sabeis o caminho para onde eu vou. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para
onde vais? Como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém
vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.4-6).
CONCLUSÃO
Concluindo, o salmista nos propiciou um vislumbre límpido das duas alternativas que temos em nosso
caminho para a vida: uma passa pelo amor a Deus e aos seus ensinamentos, pela prática do amor e da justiça,
pela vida frutífera e abençoadora que se apóia no cuidado e na providência divina. Seu destino é a
permanência em Deus e na comunhão dos justos. A outra passa pelo indiferença ao Senhor e à sua Lei, pela
prática das obras por ela condenadas e que transgridem os seus ensinamentos. Seu destino é a perdição
e existência solitária.
Exercitando a nossa imaginação, poderíamos afirmar que se a Alice, personagem do conto mencionado
no início desse sermão, tivesse a oportunidade de ler este salmo, ela teria claras indicações de que
caminho deveria seguir. Assim, também, cada um de nós, tem à sua frente uma escolha. Para que saibamos
o que fazer, precisamos Conhecer o Caminho, Avaliar a Caminhada e Chegar ao Destino. A Lei do
Senhor nos serve de Guia nesta jornada!
Que o Espírito do Senhor aplique em nós estas verdades e as coloque em prática em nossas vidas.
Amém!